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It Up!

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Hoje, Dia Nacional da Poesia, faço uma pequena homenagem à poetisa e escritora Clarice Lispector: uma das mais influentes e lindas do Brasil (apesar dela ter nascido na Ucrânia).

Quero Escrever o Borrão Vermelho de Sangue

Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.

Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.

Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.

Algumas fotos de Clarice – a poetisa de sobrancelhas perfeitas, maçãs do rosto invejáveis e boca encarnada.









A beleza de Clarice era tão forte quanto suas palavras.
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